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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Caminhando na Geleira


Ponto de Partida para a caminhada
sobre o Glaciar Perito Moreno

El Calafate não é o fim do mundo, mas é quase... É belíssimo! Uma paisagem totalmente nova para nós, brasileiros. É uma cidadezinha encantadora, ponto de partida para inúmeras geleiras. (Veja a matéria El Calafate e as Geleiras)
Esta matéria sobre a caminhada no Glaciar Perito Moreno é dedicada a nossos amigos, companheiros da Viagem ao Fim do Mundo.
Fomos para lá em 2007, aproveitando um Congresso de Dermatologia realizado em Buenos Aires, a natural escala para se chegar a El Calafate, o que torna esse destino ainda mais convidativo, pois ninguém desconhece que uma paradinha em Buenos Aires é sempre muito benvinda! E como não poderia deixar de ser, nós aproveitamos bem essa estada introdutória da viagem. Confira! (Mi Buenos Aires Querido.)
De todos os glaciares, Perito Moreno é o mais fascinante, principalmente por ser o único da região que se pode acessar para fazer caminhadas. Nossos companheiros de viagem já haviam regressado ao Brasil e não puderam curtir essa experiência inédita e incrível. Totalmente diferente de caminhar na neve ou esquiar...
Trata-se de andar sobre um glaciar! (Uma geleira ou glaciar é uma grande e espessa massa de gelo, formada em camadas sucessivas de neve, compactada e recristalizada, de várias épocas, em regiões onde a acumulação de neve é superior ao degelo. É dotada de movimento e se desloca lentamente, em razão da gravidade, relevo abaixo, provocando erosão e sedimentação glacial.)
O Glaciar Perito Moreno, localizado no sul da Argentina, é um daqueles raros espetáculos de exuberância natural que despertam a consciência da fragilidade humana e fazem meditar sobre a dimensão do tempo. Enorme rio congelado com área de 195 km2, ele existe há pelo menos 30 mil anos e é uma das únicas geleiras do planeta que continua crescendo.
Por tudo isso e ainda, pela gostosa sensação de aventura, a caminhada sobre o Glaciar Perito Moreno é uma das experiências mais inesquecíveis!
Tudo começa bem cedo. Até chegarmos ao Parque ds Glaciares temos uma estrada pela frente e uma travessia de barco. Após aportarmos e depois de uma curtíssima caminhada, já chegamos na parte do gelo. Aí, nos colocam um sapato cheio de grampos para que possamos caminhar sobre a superfície escorregadia. Começa a emoção...
É meio incômodo sentir que para subir e descer as montanhas de gelo é necessário fincar os grampões sobre a superfície branca. Confesso que dá uma certa preocupação de não conseguir realizar essas passadas "encravejadoras" no gelo, principalmente porque ao longo do caminho passamos bem rente a várias fendas muito profundas. Também não nos dão muito tempo para aprender como fincar os pés durante a descida sem capotar! Apenas nos mostram rapidamente como posicionar os pés para evitar uma eventual capotagem e logo em seguida já estamos de partida!

Óculos escuros são indispensáveis, pois os raios solares refletem uma luminosidade no branco do gelo que quase nos cega. Dependendo da profundidade de algumas fendas ou túneis, o gelo se colore de um azul indescritível. É lindíssimo!

E assim começávamos nossa caminhada sobre o Glaciar Perito Moreno

Logo que o aclive começou a aumentar, pensei em desistir. Vários desistiram! Nesse trecho nos alertaram que seria o último local passível de desistência, pois havia um guia especialmente preparado para acompanhar quem não quisesse prosseguir. Posteriormente não seria mais possível retornar, tampouco parar, já que não passaríamos pelo mesmo caminho até o término da aventura.

Lá no alto, uma repetição do relevo da terra firme que conhecemos, só que com todas as peculiaridades dos glaciares, que se formaram há milhares de anos. Assim, passamos por lindos lagos e rios. Fascinante! Fascinante! Mil vezes fascinante! Tivemos que saltar para atravessar alguns desses rios e continuar nosso trajeto. Nessas horas, eu quase morria de medo... mas não podia retornar rsrsrrsrsrs...

Havia também alguns túneis que a natureza cuidadosamente esculpiu nessas montanhas milenares de gelo. Eram lindos! Esse, da foto acima, eu não tive coragem suficiente para atravessar. Enquanto o Paulo seguiu com os guias que fariam a travessia, eu preferi acompanhar outros, para contornar aquele trecho da montanha... Foi aí que me arrependi! Acho que a travessia seria menos assustadora que contornar a montanha, com o precipício ao meu lado. Confesso que fiz esse pequeno, mas assustador trajeto, somente porque não havia mais a possibilidade de desistir. Então, de mãos dadas com o guia, me arrastei até o outro lado, pensando o quanto idiota eu era para querer sofrer e passar por tanto medo e esforço... e ainda pagar por isso! (a caminhada não é barata, pois são necessários muitos guias por grupo)

A partir daí o caminho foi ficando cada vez mais difícil e assustador...

Em determinados trechos os guias nos alertavam para que não ficássemos lado a lado! Tínhamos que andar em fila indiana! Não podíamos sair, de jeito algum, da rota traçada pelos guias, que iam testando a firmeza do gelo com seus enormes martelos. Êles furavam o gelo com o lado ponteagudo desses martelos para verificar se a superfície estaria realmente firme ou se poderia ceder. Nessa hora o medo aumentou!!
"E se eu cair? ", perguntei. Eles responderam que era pra eu cair pra frente ou para trás. Jamais para os lados! Fiquei a pensar... ninguém programa que vai cair, simplesmente, cai! Como então alguém pode programar para onde vai cair??

Um dos guias descansa o martelo sobre o ombro,
enquanto nos mostra a cratera que se abre após perfurar o gelo

Havia horas em que eu só tentava imaginar o quanto ainda faltaria para que aquela tortura acabasse...

De repente... surpresa! Do alto de uma montanha avistávamos algo que parecia ser o final apoteótico do passeio! Cheguei a pensar em miragem... Mas felizmente não era! Foi então que os guias explicaram, no topo daquela última montanha, que após todo aquele esforço nós merecíamos um prêmio. E lá estava!

Palavras são dispensáveis! Após a descida... o nosso prêmio! Importante é ressaltar que o gelo da bebida foi extraído por um dos guias ali, naquela hora, sob nossos olhos, exatamente daquela enorme fonte! Um gelo milenar!

Todos merecíamos! Parece que aquele medo todo tinha acontecido há muito tempo! Já estava esquecido. Superado pelo orgulho da façanha!

Um brinde, com a gostosa sensação de ter vencido o medo!

Uma aventura para não esquecer! Pode parecer sadomasoquismo, mas depois que acaba, dá uma sensação muito prazerosa saber que você foi capaz! Recomendo!

Após a caminhada no gelo, faz-se uma parada no abrigo ali existente na beira do lago.
Nesse abrigo havíamos deixado tudo aquilo que poderia nos atrapalhar durante a caminhada, inclusive nossas mochilas. Quase todos que fazem esse passeio carregam mochilas com lanches previamente preparados nos hotéis, já que não há bares ou lanchonetes no sopé da geleira.
Todos os hotéis e pousadas de El Calafate orientam os turistas para encomendar esses lanches de véspera, já que o passeio começa às 6 da manhã. Por tudo isso, verificamos que há uma estrutura bem bacana para o turista e para a manutenção da natureza intacta.

Após o lanche, atravessamos o lago de barco. Do outro lado, avistávamos Perito Moreno de uma das passarelas.

Obrigado pela visita!
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quarta-feira, 7 de maio de 2008

El Calafate e as Geleiras

Se você for a El Calafate, vai amar!!!
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El Calafate é a porta de entrada ao maravilhoso mundo das geleiras. Este município está situado sobre a Baía redonda do Rio Argentino e adquire o nome de um pequeno arbusto típico da Patagônia. Segundo a tradição, quem come desta fruta retornará ao local para provar mais, mas quem visita o Calafate quer permanecer para sempre.
.El Calafate está a menos de 200m de altitude. A cidade era, até pouco tempo, apenas um povoado que funcionava como centro de abastecimento para criadores de ovelhas e produtores de lã. Cresceu muito nos últimos anos com o desenvolvimento do turismo, graças à proximidade com o Parque Nacional Los Glaciares e suas atrações. É também caminho para El Chaltén e suas montanhas, como a popular Rtz Roy, destino de treekers e alpinistas, ao norte do parque. Mas é sobretudo a parte sul do Parque Los Glaciares que atrai viajantes de todo o mundo, onde fica um dos grandes destaques da Patagônia, carro-chefe da região, o estonteante Glacíar Perito Moreno, uma das maiores e mais belas geleiras da Argentina - aliás, de todo o continente americano - visita imperdível.

O clima é predominantemente seco, com uma temperatura máxima de 19ºC, no verão e -2ºC, no inverno. A duração dos dias varia de acordo com a época do ano, uma vez que no verão amanhece por volta das 05:00 horas da manhã e anoitece somente às 23:00.


O Glaciar Perito Moreno não é o maior dos glaciares, mas é o mais acessível. Sua aparência lembra um enorme castelo de gelo branco azulado e brilhante, mas segundo a Renata, nossa amiga, há uma definição mais apropriada: "Parece um merengão"!
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El Calafate é praticamente uma cidade hospedeira, pois os passeios são todos fora de lá. Mesmo assim, a cidadezinha encanta a todos.


Construção Típica
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Arquitetura Típica
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Um dos restaurantes mais procurados é o La Tablita, abaixo.
Fomos e não nos arrependemos.

La Tablita
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Rosane e Renata caminhando pela cidadezinha
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Ricardo e Rosane namorando
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Carlinhos observando o comércio local
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Nosso primeiro passeio fora foi ao Glaciar Perito Moreno. A primeira parada foi para apreciar o Lago Argentino. Enquadrado em uma paisagem de Estepe, surpreende aos turistas com sua cor azul-pavão.
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O Glaciar Perito Moreno termina junto à intersecção de dois braços do Lago Argentino, o que de tempos em tempos provoca um fenômeno curioso. Às vezes o canal se fecha, represando um dos braços. A cada quatro anos, em média, a erosão faz a barreira se romper, liberando a força das águas num belo e incontrolável espetáculo. A força da correnteza é tão grande que costuma arrancar árvores da margem. O último rompimento aconteceu em 1988.
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Dadá e Carlos no Perito Moreno.
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Rosane no mesmo local.
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Ricardinho com a geleira ao fundo
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Através de passarelas e escadarias de madeira é possível chegar a 200 metros de distância do paredão, que se eleva a mais de 30 metros acima do Lago Argentino e se estende por um vale até as montanhas.
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Passeio a Todos Los Glaciares com parada na Bahia Onelli
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O passeio dura o dia inteiro. Todos voltam extasiados a El Calafate. Observar o glaciar Upsala é emocionante. É uma imensidão de gelo. Nas montanhas próximas ao glaciar, há cachoeiras alimentadas pelo seu degelo. Manchas escuras, na forma de linhas quilométricas, podem ser vistas na sua superfície. São chamadas de "morenas". Elas surgem devido às pedras e escombros arrastados pelo glacial.

Nós, Paulinho e eu.
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Upsala é o maior glaciar da América do Sul. De todas as geleiras desprendem-se icebergs que vamos encontrando durante todo o passeio.
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Nós, Lili e Paulinho..

Rosane, Eliane e Renata
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Chegada na Bahia Onelli





Todos Los Glaciares é um passeio de catamarã para visitar todas as geleiras da região. Visitamos o Glaciar Upsala, Spegazzini e Onelli. O barco é enorme, anda a 52 km/h e pára quando se aproxima de algum iceberg. Passamos por muitos no caminho às geleiras, de diferentes procedências, diferentes cores e texturas, lindos!

Mãos ao alto!

Olha o bonde!!





El Galpon del Glaciar
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Não recomendamos esse passeio, nem os outros similares, pois todas as estâncias oferecem o mesmo tipo de programa, ou seja, um lanche, depois ir se juntar a um grupo para ver a tosa de um pobre carneiro, saindo, em seguida (graças a Deus, estávamos enjoados com o cheiro e com pena do bicho), para ver o pastoreio pela estância. Isto, em um frio de matar.
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Conseguindo sobreviver, todos retornamos ao galpão para o jantar. Pegamos uma fila enorme (os galpões são muito grandes e lotados de turistas) para comer cordeiro assado enquanto assistimos a um show de tango infinitamente inferior aos que assistimos em Buenos Aires.
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Mas há quem goste!

Carlos, Dadá, nós e Ricardinho
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Lugares para comer que recomendamos muito:

La Tablita: Comemos o melhor cordero patagónico da história da humanidade! Bom preço, mas não chega a ser econômico.

La Vaca Atada: Comemos um arroz com frango delicioso e bem servido, mas tem também massas e carnes. Ótimo preço.

Fomos ainda a um lugar que serve uns sanduiches imperdíveis. Fica na mesma rua de nosso hotel (a principal da cidad) e do mesmo lado dela. Não lembramos o nome, mas tem uma decoração que imita uma espécie de favela e fica no msmo lote de uma loja d artigos típicos da região.
Nós todos na lanchonete.

No Hotel Álamo fomos a um show maravilhoso e saboreamos o melhor jantar de El Calafate!
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Carlos e Dadá em frente ao Hotel Álamo
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Nós, Carlos e Dadá jantando no Álamo
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O nosso hotel, Mirador del Lago, além de muito bonito e muitíssimo confortável, tem um serviço de primeira!!! Camareiras três vezes por dia. Um exagero!
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Camas super-extra-kings! E ainda por cima, de frente para o Lago Argentino! Um luxo! O preço foi bastante acessível. Nós Recomendamos!
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Em frente ao nosso hotel.

Nosso Hotel - El Mirador del Lago (Maravilhoso!!!!!!)
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Outro passeio imperdível foi o mini-trecking (uma caminhada na geleira). Essa experiência merecerá uma matéria especial. Em breve!
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El Calafate foi uma grata surpresa! Sabíamos que naquele lugar seria tudo muito bonito e diferente, mas não imaginávamos sensações tão impactantes.
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Todos sentiremos saudades de El Calafate!
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-Viagem realizada em setembro/outubro de 2007-
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Obrigado pela visita!
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